Page 42 - Revista Anual - Nº19
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4.1. PERICARDITE

            A pericardite é numa inflamação do folheto parietal e visceral do pericárdio, em que o exsudado formado
            se acumula no saco pericárdico. Pode resultar de disseminação hematógena de agentes infecciosos,
            da extensão direta de processos inflamatórios de tecidos adjacentes ou perfuração do saco pericárdico
            por corpo estranho (Van Vleet e Ferrans, 2001; Jones et al., 1997). Geralmente são processos secun-
            dários, sendo os processos primários raros e quase sempre de origem vírica (Schoen, 2005)
            Em processos agudos, de origem infecciosa, associados por vezes a lesões pulmonares, a pericardite é
            serosa, serohemorrágica, serofibrinosa ou purulenta. Nas pericardites crónicas verifica-se uma adesão
            quase total entre os dois folhetos e geralmente está associada a lesões pleurais igualmente fibrosas
            (Rozier eTassin, 1993). Nestes casos pode mesmo ocorrer uma pericardite constritiva, responsável pelo
                                           aparecimento de falha cardíaca (Van Vleet e Ferrans, 2001; Schoen,
                                           2005; Maxie e Robinson, 2007).
                                           Na pericardite fibrinosa (Figura 8), a forma mais comum de pericar-
                                           dite nos animais, que resulta geralmente de infeção hematógena, o
                                           pericárdio encontra-se revestido por quantidades variáveis de fibri-
                                           na, que são responsáveis pela aderência entre os folhetos parietal e
                                           visceral. O material fibrinoso pode apresentar uma coloração ama-
                                           relada ou avermelhada  caso esteja conjugado  com sangue (Van
                                           Vleet e Ferrans, 2001; Jones et al., 1997; Schoen, 2005).
                                           Nos bovinos pode ocorrer pericardite purulenta associada a reticu-
                                           loperitonite traumática (Maxie e Robinson, 2007). No retículo destes
                                           animais podem acumular-se corpos estranhos, como pregos e pe-
                                           daços de arame que ao penetrarem as suas paredes e através do
                                           diafragma podem atingir o saco pericárdico e desta forma transpor-
                                           tarem bactérias que iniciam a infeção. As superfícies do pericárdio
                                           encontram-se revestidas e espessadas por material fibrinoso bran-
                                           co acinzentado (Figura 9 e 10) que conferem ao coração uma aspe-
                                           to rugoso. Por vezes, o saco pericárdico acumula material purulento
            Figura 8 – Coração de bovino    de cheiro desagradável (Van Vleet e Ferrans, 2001; Jones et al.,
            Pericardite Fibrinosa (Fontes, 1997).  1997; Maxie e Robinson, 2007). Trueperella pyogenes é o agente
                                           mais comum de uma microbiota variada que pode incluir bactérias
                                           anaeróbias  produtoras  de gás. As bactérias  podem  atingir  a cor-
            rente sanguínea levando a uma septicemia, embora seja mais comum o encapsulamento do material
            infeccioso com libertação de toxinas, que podem conduzir a caquexia (Collins e Huey, 2015).
            De acordo com o Codex Alimentarius (1994) em casos agudos de pericardite infecciosa, septicemia e
            pericardite bovina traumática com febre, acumulação de exsudado, transtornos circulatórios, alterações
            degenerativas nos órgãos ou odor anormal, deve proceder-se à reprovação total da carcaça e das
            respectivas vísceras.



















                                                                              Figura 9 e 10 – Coração
                                                                              de bovino – Pericardite
                                                                              Traumática.
                                                                              Presença de abundante
                                                                              exsudado fibrinoso (AFIS).
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