Page 19 - Revista Portuguesa de Buiatria - Nº 23
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cença, o aleitamento artificial e o tratamento tér-
mico do colostro e, a posteriori, do leite, permitem
prevenir a transmissão vertical dos agentes etio-
lógicos (De Garnica e Gonzalo, 2012).
Maneio sanitário e profilático
A aplicação de medidas de biossegurança e
de higiene é essencial para a redução da preva-
lência da doença no efetivo (Spickler, 2018). É
igualmente importante que estas sejam adequa-
das ao tipo de produção praticado (Loria et al.,
2018). A ocorrência de agalaxia contagiosa foi
mais elevada nas explorações em que a sua hi-
giene foi considerada como “boa” (36,4%). Este
resultado é surpreendente por ser esperada uma Figura 7. Higiene do aleitamento nas explorações em
estudo.
ocorrência mais elevada nas explorações cuja
higiene foi considerada como “má”. Podem ser
colocadas várias hipóteses para o sucedido, no- periodicidade (semestral e anualmente), e onde
meadamente, a possibilidade de uma higieniza- seria expectável que a ocorrência fosse maior.
ção mal efetuada, e o desenvolvimento de Uma possível explicação para o verificado é a pos-
atitudes, técnicas e práticas que permitem a en- sibilidade da escolha incorreta dos desinfetantes
trada e a transmissão dos micoplasmas nas ex- utilizados. Desinfetantes como ácido hipoclorídri-
plorações, como, a partilha de pastos entre co, formalina, cresóis, e fenóis associados a com-
efetivos e de instrumentos entre explorações, a postos de amónio quaternário são altamente
não realização de despiste da doença aquando eficazes (Kumar et al., 2014). Também a desinfe-
da compra de animais de outros efetivos ou a não ção grosseira e não minuciosa das instalações,
realização de quarentena desses animais ou de veículos de transporte, máquinas de ordenha,
animais suspeitos. utensílios e equipamentos, comedouros e bebe-
Apurou-se ainda que, no que concerne à fre- douros pode ajudar a explicar o sucedido.
quência da desinfeção, esta era trimestral em A higiene de aleitamento (Figura 7) foi consi-
37,0% (n=40), semestral em 29,6% (n=32), anual derada adequada em 86,1% (n=93) das explora-
em 17,6% (n=19) e 15,7% (n=17) nunca faziam de- ções e má em 13,9% (n=15) explorações. O facto
sinfeção (Figura 6). A ocorrência da patologia em de a ocorrência da síndrome ser mais elevada em
causa foi mais elevada em explorações que proce- explorações em que a higiene era considerada
diam à sua desinfeção trimestralmente. Este resul- “adequada” (32,3%), é curioso, pelo facto de se
tado não corresponde ao esperado, uma vez que esperar o oposto. Assim como referido anterior-
foram ainda estudadas explorações que não reali- mente, relativamente à higiene da exploração, no
zavam desinfeção ou que a realizavam com menor caso de a higiene “adequada” não ser posta em
causa, o maneio ou práticas inadequadas podem
estar na origem deste resultado. Anomalias nas
máquinas de ordenha ou técnicas de ordenha er-
radas, como a incorreta/não desinfeção dos tetos
antes e após a ordenha, das mãos do ordenhador
(se for o caso) e dos utensílios utilizados, têm um
papel importante na transmissão indireta da
doença (Jaÿ e Tardy, 2019).
A assistência médico veterinária encontra-se
resumida na Tabela 2. Nas explorações com um
plano profilático pré-definido instituído (13,9%), a
ocorrência de agalaxia contagiosa foi mais eleva-
da (66,7%), como esperado, senão entenda-se. A
administração da vacina contra a agalaxia conta-
giosa realiza-se por forma a prevenir a infeção de
Figura 6. Frequência da desinfeção nas explorações em animais saudáveis e mitigar a transmissão e os N. o 22, Dezembro 2023
estudo. sinais clínicos em explorações já diagnosticadas
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