Page 17 - Revista Portuguesa de Buiatria - Nº 23
P. 17
Tabela 1. Constituição do efetivo das explorações em estudo. Tabela 2. Tipo de assistência médico veterinária nas explo-
rações em estudo.
Constituição
do efetivo Frequência % Assistência médico veterinária Frequência %
Caprinos 21 19.4 Plano profilático pré-definido 15 13.9
Ovinos 77 71.3 Só rastreio brucelose 26 24.1
Mista 10 9.3 Vacinas/desparasitação c/ OPP 67 62
Total 108 100 Total 108 100
do (Nicholas et al., 2008; Alegria., 2012; Gómez-
-Martín et al., 2012).
Ainda que a maioria das explorações amos-
tradas possua animais de aptidão carne (65,7%)
e apenas 7,4% de aptidão leite, a ocorrência foi
mais elevada em explorações cujo efetivo tinha
aptidão mista (Figura 2). Não obstante também
poder ser observada em animais cujo fim é a pro-
dução de carne, a agalaxia contagiosa é predo-
minantemente uma doença de efetivos leiteiros
de pequenos ruminantes, onde gera elevadas
perdas na produção de leite (Gómez-Martín et al.,
2013).
A Figura 3 resume o sistema de produção ado-
tado nas explorações. Embora metade sejam de Figura 3. Sistema de produção das explorações em
estudo.
regime extensivo e 45,4% de regime semiexten-
sivo, a ocorrência foi mais elevada em explora-
ções de regime intensivo (80%). Verificou-se se verifica na produção intensiva, seja de animais
ainda uma elevada ocorrência em explorações com aptidão leite ou carne, bem como, a elevada
onde os animais se encontravam permanente- densidade de animais estabulados associada a
mente estabulados (70,0%). Estes resultados en- este tipo de produção, acaba por favorecer a
contram-se dentro do previsto, uma vez que a transmissão, sobretudo, pela via respiratória, dos
estabulação permanente é frequentemente asso- agentes responsáveis pela patologia (Bergonier
ciada a regimes de produção intensivos, e de et al.,1997; Corrales et al., 2007; Prats-van der
acordo com Gómez-Martín et al. (2012) a produ- Ham et al., 2013).
ção intensiva constitui um importante fator de ris- Quanto ao tipo de alojamento, este era do tipo
co para o aparecimento de surtos de agalaxia moderno em 47,2% (n=51), precário em 30,6%
contagiosa. O contacto direto entre animais que (n=33) e do tipo abrigo em 22,2% (n=24). Seria de
esperar que a ocorrência em alojamentos do tipo
abrigo ou precário fosse elevada, uma vez que
pressupõe estruturas físicas deficitárias. Porém,
a ocorrência foi mais elevada quando este era do
tipo moderno (41,2%). Embora as instalações se-
jam adequadas, é possível que as condições de
higiene inadequadas ou o maneio incorreto que
potenciam o desenvolvimento da síndrome na
exploração expliquem este resultado (Bergonier
et al.,1997).
Produtor
Relativamente aos produtores, e mais pro-
priamente, no que concerne à sua formação em
produção animal (Figura 4), constatou-se que a N. o 22, Dezembro 2023
Figura 2. Aptidão das explorações em estudo. ocorrência da doença foi mais elevada quando
Revista Portuguesa de Buiatria 15

