Page 18 - Revista Portuguesa de Buiatria - Nº 23
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Figura 4. Formação em produção animal dos produtores. Figura 5. Conhecimentos sobre Agalaxia Contagiosa dos
produtores.
estes a possuíam (45,8%). Parece importante
referir que apenas 22,2% dos produtores tinham Maneio reprodutivo
este tipo de formação. Este resultado não é con- No que ao maneio reprodutivo diz respeito, a
dizente com o esperado, sendo expectável ob- ocorrência da doença foi de 100% em explora-
servar uma ocorrência mais elevada em ções que, para além da cobrição natural, recor-
explorações detidas por produtores sem forma- riam à inseminação artificial. Porém, este
ção em produção animal. Isto pode ser explicado resultado deve ser analisado com cuidado, pois
por, apesar de as habilitações literárias e a for- este tipo de maneio é praticado num reduzido nú-
mação poderem ter um impacto significativo so- mero de explorações (em 3,7% das explorações
bre os conhecimentos dos produtores, o mesmo amostradas). Além disso, Amores et al. (2011) e
não acontece necessariamente com o maneio De la Fe et al. (2009) referiram haver a possibili-
da exploração, ou seja, nem sempre as práticas dade de transmissão venérea da doença, seja
e atitudes adotadas são as ideais. Também o através de cobrição natural ou de inseminação
facto de o produtor ter formação, não significa artificial, após ter sido detetado Ma e Mmc em
que haja diretamente uma transposição para a sémen recolhido de animais com infeção subclí-
prática. Este resultado deve ser analisado no nica, muito provavelmente, portadores crónicos.
futuro, com desenhos de estudos apropriados, Verificou-se que nas explorações que tinham
para se verificar a aplicação das competências maternidade (23,1%), a ocorrência foi mais ele-
adquiridas à exploração. vada (48%). É possível que as fêmeas gestantes,
Verificou-se ainda uma ocorrência de 100% durante o período pré e pós-parto em que per-
em explorações cujos produtores tinham cerca de manecem na maternidade, encontram-se sob
5 anos de experiência. Estes resultados sugerem maior vigilância, sendo mais fácil identificar os
que, os produtores das explorações onde a ocor- sinais clínicos indicativos da doença. É importan-
rência da patologia foi mais elevada são mais te também não esquecer que, a elevada morbili-
“inexperientes”, e, portanto, os resultados podem dade da síndrome está associada a fêmeas
estar associados a esse facto. gestantes e lactantes (Ruffin, 2001; Verbisck-
Quanto aos conhecimentos do produtor sobre -Bucker et al., 2008).
agalaxia (Figura 5), dos 108 produtores inquiri- A quase totalidade das explorações estudadas
dos, 79 (73,1%) afirmaram conhecer a síndrome, (94,4%) recorria ao aleitamento natural das crias.
embora a sua ocorrência tenha sido mais eleva- Nestas explorações a ocorrência da síndrome foi
da nas explorações destes produtores (48%). mais elevada (27,5%). Este resultado está de acor-
Podem ser adiantadas algumas explicações para do com a bibliografia consultada. Quer o colostro,
o sucedido, nomeadamente o facto de que, o co- quer o leite, são fontes de excreção de elevadas
nhecimento da doença favorece a identificação concentrações de micoplasmas patogénicos, pelo
de animais no rebanho com sintomatologia e que a sua ingestão por parte das crias recém-nas-
quadro clínico característico de agalaxia conta- cidas favorece a transmissão e consequente ma-
giosa, e o desconhecimento sobre a mesma, o nifestação clínica da doença (Kumar et al., 2014;
seu subdiagnóstico. Paterna et al., 2013). A separação das crias à nas-
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